Fibromialgia: Quando a lei existe, mas o atendimento não chega

Em 2025 aprovamos a equiparação a PCD. Agora a luta é fazer valer na vida real.

27 abr 2026, 15:56 Tempo de leitura: 4 minutos, 17 segundos
Fibromialgia: Quando a lei existe, mas o atendimento não chega

Fevereiro Roxo é o mês de conscientização sobre lúpus, Alzheimer e fibromialgia. Mais do que marcar uma data no calendário, esse período serve para reforçar algo básico: informação importa. 

Em 2025, Itapira aprovou a equiparação de pessoas com fibromialgia a pessoas com deficiência, garantindo acesso a direitos, benefícios e políticas públicas que durante muito tempo foram negados. 

Foi um avanço importante. Porém, aprovar a lei foi apenas o começo. O desafio real é fazer esse direito sair do papel e chegar na vida de quem precisa.

Porque a realidade ainda está longe do que deveria ser. Continuam chegando relatos de quem não consegue sequer investigar se tem fibromialgia. 

Ao procurar atendimento na rede municipal, muitas vezes essas pessoas saem sem resposta concreta. Em vez de escuta e encaminhamento adequado, recebem explicações genéricas que não resolvem nada. A lei avançou, mas o atendimento não acompanhou esse avanço.

O que é fibromialgia e por que o diagnóstico demora tanto

A fibromialgia é uma síndrome crônica que provoca dores generalizadas pelo corpo, fadiga constante, alterações no sono e outros sintomas que afetam diretamente a rotina. Não estamos falando de desconforto passageiro, mas sim de uma condição que interfere no trabalho, no descanso, na disposição e na qualidade de vida.

Ainda existe muito preconceito em torno disso. Por isso é importante repetir: fibromialgia não é frescura, não é exagero e não é falta de vontade. É uma condição reconhecida pela medicina que exige diagnóstico correto, acompanhamento e tratamento multidisciplinar.

A fibromialgia não aparece em exames de imagem ou de sangue. Por conta disso, o diagnóstico é clínico, baseado em critérios específicos que o profissional precisa conhecer e aplicar. Quando falta esse preparo, quem sofre com os sintomas passa muito tempo em busca de respostas, circulando por consultórios sem conseguir identificar o que está causando tanto sofrimento.

Enquanto isso, a dor continua. A fadiga continua.  A qualidade de vida despenca. E essas pessoas ficam sem diagnóstico, sem tratamento e sem acesso aos direitos que a lei garante.

A falta de reumatologista agrava tudo

Itapira não tem reumatologista na rede municipal. Isso não afeta só quem tem fibromialgia, mas também pacientes com artrite, lúpus, artrose e outras condições que precisam desse acompanhamento especializado. Porém, no caso da fibromialgia, a situação fica ainda mais grave, porque muitos profissionais da atenção básica não receberam formação específica sobre os critérios diagnósticos da síndrome.

O resultado: usuários do SUS procuram ajuda, relatam dores intensas e limitações reais, mas voltam para casa sem diagnóstico, sem encaminhamento, sem perspectiva de tratamento.

E aí fica a pergunta necessária: de que adianta garantir direitos em lei se quem precisa não consegue sequer chegar ao diagnóstico?

O que precisa acontecer agora

Não faltam caminhos. Porém, falta prioridade política.

A Prefeitura precisa investir na capacitação da rede. Médicos, enfermeiros e demais profissionais da saúde precisam de formação continuada sobre fibromialgia: critérios de identificação, protocolos de acolhimento e procedimentos de encaminhamento. 

Não é aceitável que pacientes em sofrimento real permaneçam desassistidos por falta de preparo técnico da rede.

Além disso, a Prefeitura precisa garantir acesso a especialistas. 

Se o município não dispõe de reumatologista concursado, é necessário contratar, estabelecer parcerias com municípios da região ou organizar um sistema de referência que funcione efetivamente. A população não pode ficar sem alternativa de atendimento especializado.

Por fim, a população precisa ser informada adequadamente

Parte significativa de quem tem fibromialgia desconhece os direitos garantidos pela equiparação: prioridade em atendimentos, vagas de estacionamento reservadas, entre outros benefícios. A Prefeitura deve divulgar essas informações de forma clara, acessível e proativa.

A mobilização continua

No dia 9 de maio, cidades de todo o Brasil realizam caminhadas e ações de conscientização sobre fibromialgia. Essas mobilizações têm papel fundamental, pois ajudam a dar visibilidade à condição, fortalecem redes de apoio entre quem convive com a síndrome e pressionam o poder público a agir com a seriedade necessária.

Quanto mais gente se mobiliza, mais difícil fica ignorar o problema. E isso vale para a saúde, para a informação e para a efetivação de direitos.

Em Itapira, vamos estar na 4ª Caminhada de Conscientização da Fibromialgia, que se concentra em frente à Casa da Cultura às 8h30! 

Vitória real exige implementação real

A equiparação a PCD foi uma conquista importante. Mas vitória de verdade só existe quando quem precisa consegue consulta, recebe diagnóstico correto, tem acesso a tratamento adequado e é tratado com o respeito que merece.

Seguiremos cobrando capacitação da rede municipal, acesso a especialistas e cumprimento integral da lei aprovada em Itapira. 

Saúde pública de qualidade não é favor. É direito.