8 de março: Um dia de luta
Por mulheres vivas e pelo fim das guerras
16 mar 2026, 13:15 Tempo de leitura: 3 minutos, 1 segundo
O dia 8 de março não foi uma data de comemoração. É um dia de luta, e neste ano a data ganhou um significado ainda mais urgente. No último sábado, milhares de pessoas tomaram as ruas em mais de 20 cidades brasileiras com a frase de ordem “Feministas Antifascistas: por mulheres vivas e pelo fim das guerras”. Em Campinas, onde nossa região se fez presente, o ato começou às 09h no Largo do Rosário, reunindo pessoas de várias cidades do interior paulista.
A mensagem era direta: basta de violência, basta de feminicídio, basta de naturalizar a morte de mulheres. E essa mensagem precisa ecoar em todos os espaços, das ruas aos gabinetes, das casas às instituições.
Um país em estado de calamidade
Os números são alarmantes e exigem que tratemos o feminicídio como o que ele realmente é: uma emergência nacional. Apenas 10% dos municípios brasileiros contam com algum serviço de acolhida e atendimento às mulheres vítimas de violência. Isso significa que, em 90% das cidades, uma mulher que sofre agressão não tem para onde ir, não tem estrutura institucional de proteção.
Delegacias da mulher que funcionem 24 horas, casas de acolhimento, assistência psicológica e jurídica: tudo isso precisa existir em todo o território nacional, sem amarras fiscais ou orçamentárias. Por isso a luta é pelo reconhecimento de um estado de calamidade federal, que permitiria destinar recursos emergenciais para salvar vidas.
Redes sociais, cultura misógina e o PL 6075
Nos últimos meses, casos graves de violência contra mulheres escancararam algo que já vinha sendo denunciado: as redes sociais estão funcionando como território livre para disseminação de discursos de ódio contra mulheres. O movimento red pill, que prega misoginia explícita, cresce de forma organizada nas plataformas digitais, e essas mesmas plataformas lucram com esse tipo de conteúdo.
Mas essa cultura de ódio não fica só no digital. Ela transborda para a vida real, se materializa em violências concretas e se manifesta numa total ausência de consciência sobre a gravidade dos crimes cometidos. Por isso é fundamental a aprovação do Projeto de Lei 6075, apresentado pela deputada federal Sâmia Bomfim, que está atualmente na CCJ da Câmara dos Deputados sob relatoria da deputada Lídice da Mata.
O projeto visa coibir o discurso red pill nas redes sociais e responsabilizar as plataformas que lucram com a propagação do ódio. A mudança cultural é necessária e passa pelas escolas, pelas famílias e pela sociedade como um todo, mas também precisa haver consequências legais para quem dissemina e para quem lucra com a misoginia.
Uma luta de toda a sociedade
As mobilizações do 8 de março mostram que as mulheres seguem organizadas, mobilizadas e dispostas a lutar por mudanças. Elas mostram também que essa luta não pode ser apenas das mulheres.
Cabe a toda a sociedade se posicionar, pressionar por políticas públicas concretas e apoiar iniciativas que enfrentam a violência estrutural de gênero. Entre essas iniciativas está o apoio ao Projeto de Lei 6075, que busca responsabilizar quem dissemina e quem lucra com conteúdos red pill.
Assine o abaixo-assinado: https://samiabomfim.com.br/PLRedpill/
Defender a vida das mulheres significa construir políticas públicas, fortalecer redes de proteção e transformar a cultura que ainda naturaliza a violência. O 8 de março lembra justamente isso: é um dia de memória, de mobilização e de compromisso com mudanças reais.