Vitória da autonomia: PSOL rejeita federação com o PT
PSOL rejeita federação com PT e mantém autonomia estratégica
10 mar 2026, 13:14 Tempo de leitura: 3 minutos, 28 segundos
No último sábado, dia 7 de março, o Diretório Nacional do PSOL decidiu rejeitar a proposta de ingresso na Federação Brasil da Esperança (PT-PCdoB-PV). A decisão foi tomada após amplo debate interno, com 75,8% dos votos pela manutenção da federação com a Rede Sustentabilidade, contra 24,2% que defendiam a entrada na frente com o PT.
Como militante do PSOL e vereador de Itapira, celebro essa decisão. Ela representa a defesa da nossa identidade política, da nossa autonomia estratégica e do nosso compromisso com a esquerda radical. Vou explicar por que essa foi a escolha certa.
Federação não é aliança: é subordinação
A proposta defendida por Guilherme Boulos implicava muito mais do que uma simples aliança eleitoral. Federação significa programa unificado, direção compartilhada e disciplina política obrigatória por vários anos.
Na prática, o PSOL seria obrigado a apoiar os mesmos candidatos que o PT apoia, incluindo nomes do Centrão como Eduardo Paes no Rio de Janeiro, Helder Barbalho no Pará e Rodrigo Pacheco em Minas Gerais. Construímos o PSOL justamente para não fazer esse tipo de política de conciliação com o grande capital e o agronegócio.
O PSOL tem força própria
Um dos argumentos usados para defender a federação era que precisaríamos dela para superar a cláusula de barreira. Esse argumento não se sustenta.
Nas últimas eleições nacionais, a federação PSOL-Rede atingiu 4,2% dos votos, sendo que só o PSOL fez 3,57%. Superamos bem a cláusula de barreira em 14 estados. Temos condições reais de passar a cláusula de 2026 mantendo nossa independência.
Além disso, o exemplo de outros partidos que entraram na federação com o PT é preocupante. O PCdoB perdeu metade de seus mandatos entre 2020 e 2024, caindo de 702 para 354 eleitos e o PV teve uma queda semelhante.
Apoio a Lula com autonomia
A decisão de rejeitar a federação não significa abandono da frente democrática contra o bolsonarismo. Pelo contrário: o PSOL aprovou por unanimidade o apoio à reeleição de Lula em 2026, repetindo a estratégia de 2022.
A diferença é que faremos isso mantendo nossa independência para criticar quando necessário. Apoiaremos Lula no enfrentamento à extrema-direita, mas teremos liberdade para nos posicionar contra políticas de conciliação com o mercado financeiro, com o agronegócio e com setores que não representam os trabalhadores.
Como diz a resolução aprovada, “o PSOL assumiu a responsabilidade histórica de fortalecer a unidade das esquerdas para resistir aos retrocessos e reconstruir o Brasil”. Mas isso não significa abrir mão da nossa identidade.
O PSOL cresceu por ser esquerda radical
Nosso partido sempre cresceu porque afirmou posições de esquerda radical, estando ao lado das principais lutas da classe trabalhadora e dos movimentos sociais. Foi essa identidade que nos fez relevantes no cenário político brasileiro.
Diluir isso numa federação com o PT esvaziaria nosso perfil e nos atrelaria a um governo de conciliação que muitas vezes vacila na defesa dos reais interesses do povo. A decisão tomada no sábado preserva o que o PSOL tem de mais importante: nossa capacidade de ser alternativa política real, não satélite de outro partido.
Próximos passos
Agora é hora de unir forças em torno das decisões tomadas. Vamos trabalhar para reeleger Lula, ampliar nossa bancada no Congresso Nacional dentro da federação PSOL-Rede e fortalecer nossa presença nos estados e municípios.
Como disse a presidenta nacional Paula Coradi, “o que havia para ser debatido foi debatido de modo amplo e democrático”. Agora é seguir em frente, com autonomia, com identidade própria e com compromisso com as lutas populares.
Aqui em Itapira, seguimos trabalhando com parlamentares do PSOL na região, defendendo pautas como Tarifa Zero, fortalecimento da saúde pública e respeito aos servidores. É isso que nosso partido representa: estar ao lado de quem mais precisa.
A decisão do Diretório Nacional foi acertada. O PSOL segue necessário, autônomo e combativo.